
A crise no Estreito de Ormuz ganhou uma nova dimensão, com indícios de que o Irão já esteja a impor no terreno um corredor marítimo sob o seu controlo, ao mesmo tempo que a Organização Marítima Internacional discute formas de responder à escalada de tensão naquela rota estratégica.
Segundo a informação avançada, vários navios em saída do Golfo têm sido canalizados por uma faixa estreita entre as ilhas de Qeshm e Larak, numa passagem particularmente exposta à vigilância iraniana. Apesar de não existir, para já, um anúncio formal sobre este corredor, os sinais operacionais da sua utilização têm vindo a tornar-se mais visíveis. A mesma fonte refere que responsáveis iranianos estarão a negociar com governos estrangeiros a saída faseada de navios retidos no Golfo, permitindo a passagem de um número limitado de embarcações de cada vez. Antes do trânsito, será exigida documentação detalhada sobre cada navio, seguindo-se uma inspecção visual durante a travessia.
Em paralelo, a IMO reuniu os Estados-membros numa cimeira de emergência em Londres, onde foram discutidas propostas para um corredor neutro que permita a saída segura de navios e carga humanitária. No encontro, voltaram também a ouvir-se apelos à protecção da liberdade de navegação e da segurança dos marítimos que continuam expostos ao agravamento do conflito. O que está em causa já não é apenas a tensão militar numa das passagens mais sensíveis do mundo, mas também o impacto operacional e político que poderá resultar de um estreito condicionado por um corredor controlado por uma das partes envolvidas. Para o transporte marítimo internacional, cresce assim a incerteza numa artéria essencial ao comércio global.