
A Maersk alertou que a crise em torno do Estreito de Ormuz já está a afectar o abastecimento mundial de combustível marítimo, num sinal de que a instabilidade no Médio Oriente começa a produzir efeitos muito para lá da região.
Segundo o armador dinamarquês, as perturbações numa das principais rotas energéticas do mundo estão a dificultar o acesso a combustíveis refinados usados pela marinha mercante e a obrigar a empresa a recorrer a soluções extraordinárias para manter a operação. Num ponto de situação operacional, a companhia refere que várias refinarias da região estão paradas ou a funcionar com capacidade reduzida, enquanto a capacidade de exportação se encontra limitada. Perante esse cenário, a Maersk diz ter sido obrigada a redistribuir combustível a nível global e a procurar fontes alternativas noutras geografias e junto de outros fornecedores, numa tentativa de evitar falhas no abastecimento da frota. Para responder ao aumento dos custos e às dificuldades logísticas, a empresa vai aplicar uma sobretaxa temporária de combustível a partir de 25 de Março de 2026, caso obtenha as necessárias aprovações regulatórias. A medida terá aplicação global e destina-se a compensar impactos que, segundo a transportadora, já ultrapassam os mecanismos normais de ajustamento. O alerta da Maersk mostra que a crise em Ormuz já não está apenas a afectar a navegação no Golfo, mas também o mercado global de bunker, essencial para o funcionamento do transporte marítimo.
A companhia terá ainda vários porta-contentores retidos no Golfo Pérsico, resguardados em portos ou fundeadouros, à espera de melhores condições de segurança.