
A escalada do conflito no Médio Oriente está a provocar fortes perturbações no transporte marítimo de contentores, com cerca de 140 navios retidos no Golfo, num sinal claro da pressão que a insegurança regional já está a exercer sobre uma das áreas mais sensíveis do comércio mundial.
De acordo com a consultora Alphaliner, estavam abrigados no Golfo, no início de Março, 138 porta-contentores com uma capacidade conjunta próxima dos 470 mil TEU, depois de as preocupações com a segurança terem levado várias transportadoras a suspender movimentos de navios no Estreito de Ormuz e em Bab-el-Mandeb.
A deterioração do quadro regional, após ataques aéreos norte-americanos e israelitas contra o Irão, está a obrigar os operadores a reavaliar rotas, escalas e condições de navegação. Entre os armadores mais afectados surgem a MSC e a CMA CGM. A MSC terá 15 navios nesta situação, representando cerca de 109 mil TEU, enquanto a CMA CGM soma 14 embarcações, equivalentes a 70 mil TEU. Entre os navios mencionados encontra-se o MSC Clara, com capacidade para 19.224 TEU. O porto de Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos, está a funcionar como refúgio temporário para alguns destes navios, acolhendo cerca de 20 embarcações. Ainda assim, a instabilidade permanece elevada, sobretudo depois de terem surgido relatos de um ataque aéreo que terá provocado um incêndio nas imediações do porto.
A Alphaliner estima que esta disrupção possa afectar cerca de 10,7% da frota mundial de contentores, num contexto em que mais de 120 serviços regulares escalam normalmente portos do Golfo.