
No porto chinês de Qingdao foi concluída uma operação inédita de transporte e manuseamento de contentores sem qualquer intervenção humana a bordo, com o navio eléctrico Zhi Fei a cumprir, do princípio ao fim, todas as etapas críticas do processo: navegação, aproximação ao cais, atracação e movimentação de carga num terminal automatizado.
A operação, realizada a 21 de Fevereiro de 2026, é apontada como a primeira demonstração “de ciclo completo” em que um porta-contentores executa o percurso e as manobras portuárias em modo autónomo. O Zhi Fei aproximou-se do cais guiado por sistemas de navegação inteligentes e, já em fase de acostagem, recorreu a um sistema de amarração automática por vácuo, com “ventosas” de alta potência a fixarem o casco em cerca de 30 segundos, dispensando cabos e equipas de terra para a amarração tradicional.
Logo de seguida, o terminal assumiu o resto da cadeia: sistemas automáticos coordenaram gruas de cais, equipamentos de parque e veículos guiados para descarregar e transferir contentores de forma sincronizada, mostrando que a automação já não se limita ao parque, e passa a integrar também o navio, a atracação e a ligação directa ao ecossistema do porto.
Além do impacto tecnológico, o caso de Qingdao aponta para uma mudança prática na operação portuária: Menos dependência de mão-de-obra em momentos críticos, redução de tempos de manobra, maior previsibilidade e um caminho mais claro para operações eléctricas e de menor pegada ambiental. Ao mesmo tempo, fica evidente que estes sistemas continuam a exigir supervisão e regras claras de segurança, porque a autonomia total só faz sentido se vier acompanhada de controlo, redundância e resposta rápida a incidentes.