
Remy Osman tornou-se uma referência inesperada no acompanhamento das chamadas frotas-sombra que atravessam o Estreito de Singapura.
Residente na cidade-Estado, observa regularmente a passagem de navios-tanque a partir do seu apartamento e cruza o que vê com dados públicos de rastreio marítimo, registos de bandeira e números IMO, identificando embarcações associadas a redes de transporte de petróleo sob sanções internacionais.
O trabalho de Osman não envolve acesso a informação reservada nem meios técnicos especiais. Baseia-se na observação directa, em plataformas de tracking comercial e na comparação de padrões operacionais, mudanças frequentes de nome, registos pouco claros, histórico de desligar ou manipular o AIS e ligações a empresas de fachada. É essa leitura cruzada que lhe permite apontar navios que, apesar de navegarem legalmente num estreito internacional, integram circuitos opacos do comércio energético global.
A atenção ganha relevância num dos corredores marítimos mais congestionados do mundo, por onde passam dezenas de milhares de navios por ano. A densidade do tráfego facilita a passagem discreta destas embarcações, ao mesmo tempo que limita a capacidade de intervenção das autoridades, devido ao regime jurídico de livre trânsito.
Ao tornar visíveis estes movimentos, Remy Osman expõe uma realidade que combina sanções internacionais, riscos de segurança marítima e potenciais impactos ambientais, mostrando como um fenómeno global pode ser observado, em detalhe, a partir de terra.