Reino Unido impulsiona navios com propulsão nuclear.

O sector do transporte marítimo mundial, pressionado pela urgência da descarbonização, prepara-se para uma revolução tecnológica com o Reino Unido a assumir o papel de protagonista.

Através da criação do Maritime Nuclear Consortium, um grupo de elite de empresas britânicas uniu esforços para viabilizar a utilização comercial da energia nuclear em navios mercantes. Esta iniciativa não se limita apenas à “protecção do ambiente”, mas visa garantir que o país estabeleça os padrões regulamentares e de segurança que regerão o comércio global nas próximas décadas.

A frota mundial enfrenta um desafio colossal, pois as metas de emissões zero exigem alternativas aos combustíveis fósseis que sejam simultaneamente densas em energia e escaláveis. Enquanto o hidrogénio e o amoníaco apresentam limitações logísticas e de armazenamento, os reactores nucleares de nova geração, conhecidos como Reactores Modulares Avançados, prometem uma autonomia sem precedentes. Estes sistemas permitirão que os navios operem à velocidade máxima de projecto durante anos sem necessidade de reabastecimento, eliminando completamente a dependência de infraestruturas de combustível em portos intermédios.

A composição do consórcio reflecte a complexidade do desafio, reunindo competências que vão da engenharia de ponta à jurisprudência internacional. A Rolls-Royce, com experiência em propulsão nuclear, foca-se no desenvolvimento técnico, enquanto o Babcock International Group se dedica ao design e construção das embarcações. No entanto, o sucesso desta tecnologia depende tanto da segurança física como da aceitação legal e financeira. Por esse motivo, especialistas em segurança, juristas e seguradoras completam o grupo com o intuito de criar um quadro jurídico que permita a livre circulação destes navios em águas internacionais.

A tecnologia nuclear já é uma realidade em contextos militares há mais de seis décadas, com centenas de reatores em operação em submarinos e porta-aviões. A transição para o sector comercial exige, contudo, uma harmonização entre as normas de segurança nuclear e as regulamentações marítimas vigentes. O consórcio já definiu as suas primeiras metas operacionais, que incluem a demonstração da viabilidade de um design de reator genérico e a criação de protocolos de certificação que possam ser adoptados globalmente através da liderança da Lloyd’s Register.

Além dos benefícios ambientais, esta aposta estratégica tem um pilar económico fundamental. Ao liderar esta transição, o Reino Unido pretende revitalizar os seus estaleiros e o seu sector industrial de alta tecnologia, atraindo investimentos e criando postos de trabalho qualificados.

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