Pode o metanol ser peça central na transição para um shipping mais verde?

O panorama da sustentabilidade no sector náutico atravessa uma fase de definição, com o metanol a consolidar-se como uma das soluções mais viáveis para substituir os combustíveis fósseis tradicionais.

À medida que as exigências internacionais para a redução de emissões de gases com efeito de estufa se tornam mais rigorosas, esta substância ganha terreno devido à sua versatilidade e à facilidade relativa com que pode ser integrada nas infraestruturas existentes. Ao contrário de outras alternativas que exigem condições de armazenamento extremas, como o hidrogénio ou o amoníaco, o metanol permanece líquido à temperatura ambiente e sob pressão atmosférica. Esta característica simplifica significativamente a logística de abastecimento e a adaptação dos tanques e motores a bordo, permitindo uma transição menos complexas para os armadores e operadores de frotas.

O interesse crescente nesta tecnologia é visível através dos investimentos realizados por grandes gigantes do transporte de contentores, que já encomendaram dezenas de navios preparados para operar com metanol. Embora a produção actual de metanol verde, obtido através de fontes renováveis ou de captura de carbono, ainda não satisfaça a procura global, o desenvolvimento de novos projectos de produção em escala industrial está a acelerar, visando criar uma cadeia de abastecimento sustentável e economicamente competitiva.

A adopção do metanol oferece uma redução imediata e drástica nas emissões de óxidos de enxofre e de azoto, além de diminuir substancialmente a libertação de partículas finas. Quando se utiliza o metanol de origem biológica ou sintética, o balanço de carbono de uma viagem pode aproximar-se da neutralidade, tornando este combustível um pilar fundamental para que a indústria marítima cumpra as metas de descarbonização até meados deste século.A par do desenvolvimento técnico dos motores, o sector jurídico e as seguradoras começam também a ajustar os seus protocolos para garantir a segurança das operações.

A liderança nesta tecnologia permite que as empresas se antecipem às futuras taxas de carbono e restrições regulamentares, posicionando-se na vanguarda de uma economia azul que privilegia a eficiência e a protecção do ecossistema marinho através de soluções químicas já conhecidas, mas agora aplicadas com um propósito ambiental renovado.

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