França aperta cerco: Reefers enfrentam nova tempestade regulatória.

O Governo francês oficializou uma decisão de enorme impacto para o comércio internacional de produtos perecíveis ao decretar a interdição imediata da importação de géneros alimentares que contenham resíduos de pesticidas proibidos na União Europeia.

Esta medida, adoptada sob a égide da protecção da saúde pública e do combate à concorrência desleal denunciada pelos agricultores franceses, visa substâncias como o mancozeb e o glufosinato, exigindo agora um nível de conformidade que ultrapassa as actuais directrizes comunitárias.

Para o sector do transporte marítimo frigorífico, habitualmente designado por reefer, esta imposição traduz-se numa ameaça directa à fluidez das cadeias de abastecimento, uma vez que uma parte significativa da fruta fresca e dos legumes provenientes da América do Sul e de África utiliza ainda estes compostos químicos nos seus processos de produção. A aplicação desta “cláusula de salvaguarda” por Paris obriga a que os carregamentos de produtos como abacates, citrinos e uvas sejam submetidos a inspecções de laboratório exaustivas à chegada aos portos, o que poderá resultar em atrasos críticos para mercadorias cuja natureza perecível não admite esperas prolongadas.

Prevê-se que os operadores logísticos e as companhias de navegação enfrentem um cenário de incerteza operacional, com a possibilidade de desvios de carga para outros portos europeus e um agravamento dos custos de seguro e armazenagem. Enquanto a Comissão Europeia avalia a legalidade desta acção unilateral francesa no quadro do mercado único, os importadores vêem-se forçados a renegociar contratos e a exigir garantias adicionais aos produtores estrangeiros, sob pena de verem os seus contentores rejeitados nas alfândegas francesas, num momento em que a logística global já lida com pressões inflacionistas e desafios ambientais crescentes.

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