
A infraestrutura portuária ucraniana voltou a ser alvo de um severo ataque por parte das forças russas, tendo o porto de Chornomorsk, na região de Odessa, sofrido danos consideráveis na sequência de um bombardeamento com mísseis balísticos. Segundo fontes oficiais e relatos do sector marítimo, a ofensiva atingiu directamente a zona do cais, onde se encontrava o navio de carga Matilda, de bandeira maltesa e gestão helénica, que se preparava para operações de carregamento de contentores.
O impacto resultou em ferimentos num tripulante, que necessitou de assistência médica imediata, e provocou a destruição de diversas unidades de carga, algumas das quais transportavam óleo vegetal, o que desencadeou um incêndio e um subsequente derrame de hidrocarbonetos nas águas portuárias. As equipas de emergência e as autoridades ambientais foram mobilizadas com rapidez para o local, instalando barreiras de contenção para tentar mitigar a propagação da poluição marítima e controlar as chamas que deflagraram na infra-estrutura. Este incidente ocorre num contexto de crescente pressão militar sobre o corredor de cereais e as rotas comerciais do Mar Negro, sendo já o terceiro ataque de vulto contra navios civis e instalações portuárias registado na última semana.
Kiev reagiu prontamente, condenando o que classifica como uma estratégia deliberada de terrorismo económico destinada a paralisar as exportações agrícolas ucranianas e a desestabilizar a segurança alimentar global, apelando a uma resposta mais firme da comunidade internacional perante a violação sistemática das normas do comércio marítimo internacional e do direito humanitário. Enquanto prosseguem os trabalhos de limpeza e avaliação dos danos estruturais no porto, o sector do transporte marítimo internacional manifesta uma inquietação crescente face à insegurança na região, o que poderá reflectir-se num novo aumento dos prémios de seguro para as embarcações que operam nestas águas fustigadas pelo conflito.