
O intercâmbio comercial entre os Estados Unidos e a China registou uma das maiores contracções de que há memória durante o ano de 2025, forçando uma reestruturação profunda das cadeias de abastecimento globais. Segundo dados recentes da consultora project44, as importações norte-americanas provenientes da China caíram 28%, enquanto as exportações dos EUA para o gigante asiático recuaram 38%. Este cenário não é visto como uma interrupção temporária, mas sim como uma mudança estrutural, com o Sudeste Asiático a capturar a quota de mercado perdida por Pequim. Países como a Indonésia e a Tailândia registaram crescimentos superiores a 20% nas suas exportações para solo americano, consolidando-se como os novos centros nevrálgicos da manufactura global.
Apesar desta queda acentuada, o sector do transporte marítimo começou a dar sinais de adaptação no final do ano. O número de viagens canceladas pelas transportadoras baixou drasticamente entre Abril e Dezembro, o que sugere que a capacidade logística está agora melhor alinhada com os novos volumes de carga, mais reduzidos. Simultaneamente, as exportações dos EUA para a China registaram uma recuperação inesperada de 13% em Dezembro, o primeiro mês de crescimento positivo em 2025, embora as importações chinesas continuem estagnadas e sem sinais de retoma imediata.
O horizonte para 2026 permanece, todavia, marcado pela incerteza política e jurídica. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos prepara-se para decidir sobre a legalidade das tarifas aplicadas, o que poderá levar a reembolsos massivos ou a uma nova configuração das taxas alfandegárias. Ao mesmo tempo, novas tensões geopolíticas relacionadas com o comércio entre a China e o Irão ameaçam desestabilizar os acordos de desescalada recentemente alcançados. Com os volumes nos portos previstos para continuar abaixo da média até Maio, o comércio mundial entra numa fase de proteccionismo reforçado, onde a estabilidade das rotas depende agora mais das decisões dos tribunais e governos do que da dinâmica pura do mercado.