
O A23a, o maior iceberg do planeta, atingiu o seu ponto de ruptura final. Após ter permanecido quase quarenta anos à deriva nas águas do Sul, o gigante de gelo está prestes a fragmentar-se por completo, segundo revelam os mais recentes dados da NASA.
Este colosso antárctico, que se desprendeu da plataforma continental em 1986, prepara-se agora para desaparecer definitivamente no Atlântico Sul.Durante mais de três décadas, o A23a esteve “encalhado” no fundo do Mar de Weddell, mas em 2023 foi libertado pelas correntes em direcção a águas mais quentes.
Imagens de satélite mostram agora profundas lagoas de água azul-turquesa na sua superfície, fruto de um degelo acelerado que fragiliza a sua estrutura. Este fenómeno, conhecido como hidro-fracturação, actua como uma cunha que separa as massas de gelo, acelerando o colapso iminente da estrutura original. Apesar da destruição, o desaparecimento do iceberg traz benefícios ao ecossistema marinho. Ao derreter, o gelo liberta nutrientes acumulados durante milénios, fertilizando o oceano e atraindo uma vasta biodiversidade, de fitoplâncton a grandes baleias.
O A23a deixará de ser uma unidade geográfica em breves semanas, regressando ao oceano sob a forma de pequenos fragmentos e água doce, encerrando um dos ciclos mais vigiados da história da oceanografia.