
O ambicioso plano da MSC e da BlackRock para adquirir a rede global de terminais da Hutchison Ports está em risco de colapso, podendo resultar num abandono definitivo da transação.
O negócio, que envolveria dezenas de portos estratégicos espalhados por 23 países, esbarrou nas exigências de controlo da estatal chinesa Cosco. Para garantir a viabilidade da operação junto dos reguladores chineses, o consórcio ocidental tentou integrar a Cosco na parceria, mas a empresa de Pequim terá exigido uma posição de domínio acionista que a MSC e a BlackRock não estão dispostas a ceder, criando um bloqueio nas negociações.
Este impasse ganha contornos de disputa geopolítica, uma vez que a compra daria ao consórcio ocidental o controlo sobre infraestruturas críticas, incluindo pontos vitais no Canal do Panamá e nos maiores portos europeus. A resistência da Cosco é vista como uma manobra estratégica de Pequim para não perder influência sobre as rotas comerciais globais em favor de interesses europeus e norte-americanos.
Se a MSC e a BlackRock decidirem retirar-se oficialmente da mesa de negociações, o mercado de logística marítima enfrentará um cenário de incerteza, mantendo o actual equilíbrio de forças sob forte tutela chinesa e travando aquela que seria uma das maiores movimentações de activos portuários da história recente.