
Num novo e dramático agravamento das hostilidades no corredor do Mar Negro, as forças russas atingiram duas embarcações civis que operavam junto à costa ucraniana, resultando na morte de um tripulante de nacionalidade síria e em ferimentos graves num oficial.
O ataque, executado através de uma combinação de engenhos não tripulados e mísseis, visou especificamente navios que se preparavam para escoar produtos agrícolas, num episódio que Kiev já classificou como um atentado deliberado contra a segurança alimentar global. A primeira embarcação visada, o navio de carga geral Wael K, que ostenta bandeira de São Cristóvão e Névis, foi interceptada por um engenho explosivo enquanto navegava em direcção ao porto de Chornomorsk para carregar cereais, sofrendo danos consideráveis na superestrutura que feriram um oficial.
Simultaneamente, num dos terminais do complexo portuário da Grande Odessa, um segundo cargueiro, com bandeira das Comores e carregado com soja, sofreu um impacto directo enquanto estava atracado, causando a morte imediata do marinheiro. Estes incidentes ocorrem num momento de particular vulnerabilidade, coincidindo com uma ofensiva russa mais vasta que tem recorrido a novas tecnologias balísticas para fustigar infra-estruturas críticas. O Vice-Primeiro-Ministro ucraniano, Oleksiy Kuleba, reagiu duramente aos acontecimentos, sublinhando que os alvos eram estritamente civis e que o ataque constitui um crime de guerra contra a marinha mercante mundial, destinado a dissuadir os armadores de utilizarem a rota marítima alternativa.
Até ao momento, e apesar dos apelos da Organização Marítima Internacional para a protecção dos trabalhadores do mar, Moscovo mantém a retórica de que os seus ataques visam apenas objectivos logísticos, ignorando o impacto humano e material sobre o comércio internacional.
Foto: Oleksiy Kuleba no Telegram.