
O governo do Panamá confirmou publicamente que as embarcações interceptadas recentemente pelas forças navais dos Estados Unidos da América na região do Mar das Caraíbas cometeram infracções severas que violam tanto a legislação nacional panamiana como o direito internacional marítimo.
Esta declaração surge num momento de elevada tensão geopolítica após o anúncio de um bloqueio naval total imposto por Washington contra o comércio de crude proveniente da Venezuela. O ministro das Relações Exteriores do Panamá Javier Martinez Acha explicou durante uma conferência de imprensa que os navios sob suspeita adoptaram comportamentos considerados sinais de alerta gravíssimos para as autoridades náuticas. Segundo o governante estas embarcações desligaram deliberadamente os seus sistemas de rastreio por satélite e alteraram os nomes de registo bem como as listas de tripulação para ocultar a sua actividade ilícita. O ministro sublinhou que estes factores demonstram que a bandeira do Panamá não está a ser utilizada de forma responsável e que o país agirá em conformidade com a lei para exigir o respeito pelas suas normas marítimas. Um dos casos centrais desta operação foi a apreensão do petroleiro Centuries pela Guarda Costeira norte americana em águas internacionais ao largo da costa venezuelana. Embora tenha existido alguma confusão inicial sobre a jurisdição do navio o vice ministro Carlos Guevara Mann clarificou que a embarcação ostentava no momento do confisco a bandeira da Guiana e não a do Panamá. A Casa Branca reiterou que o referido navio transportava petróleo da PDVSA a empresa estatal venezuelana que se encontra sob pesadas sanções económicas. Esta vaga de apreensões reflecte o endurecimento da política externa de Donald Trump que determinou o impedimento absoluto da entrada e saída de navios que transportem recursos energéticos destinados a financiar o regime de Nicolás Maduro.
Enquanto Caracas classifica estas acções como actos de pirataria moderna o Panamá tenta salvaguardar o prestígio da sua marinha mercante que é a maior do mundo reforçando a fiscalização sobre a frota que opera à margem das regras de segurança e transparência globais.