Mediterrâneo com aposta em peso dos maiores armadores globais.

O panorama do transporte marítimo no Mar Mediterrâneo está a sofrer uma mutação profunda, com os principais protagonistas do setor a apertarem o cerco às rotas regionais.

No arranque de 2026, os dados revelam um cenário de domínio quase absoluto por parte de um triunvirato de colossos: MSC, CMA CGM e Maersk. Estes três armadores detêm agora sete em cada dez espaços de carga disponíveis nas ligações internas desta bacia, deixando os operadores de menor dimensão e as empresas regionais numa posição de sobrevivência cada vez mais precária.

O armador francês CMA CGM tem sido o mais agressivo nesta ofensiva, injetando uma capacidade massiva no mercado com a adição de quase duas dezenas de novos navios à sua frota mediterrânica num único ano. Esta movimentação estratégica permitiu-lhe encostar à liderança da MSC, que, apesar da pressão, conseguiu expandir a sua quota através da abertura de novas linhas de serviço. Simultaneamente, a dinamarquesa Maersk recuperou terreno e subiu ao pódio, impulsionada por novas parcerias logísticas que otimizaram a sua rede de distribuição.

Esta hegemonia dos gigantes globais ocorre num momento de aparente contradição, onde a oferta total de transporte na região registou uma ligeira descida. Isto significa que a subida de tom das grandes multinacionais não se deve a um crescimento do mercado, mas sim a uma ocupação direta do espaço anteriormente detido por armadores locais e especialistas em rotas curtas.

O Mediterrâneo reafirma-se assim como um tabuleiro de xadrez onde apenas os “players” com maior músculo financeiro conseguem manter o controlo das peças.

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