
Os portos chineses voltaram a dominar o ranking mundial em 2025, consolidando a posição da China como o principal eixo da movimentação global de contentores.
Num contexto marcado por tensões geopolíticas, ajustamentos nas cadeias logísticas e abrandamento em alguns mercados ocidentais, os grandes portos do país conseguiram manter volumes elevados e, em vários casos, reforçar a sua actividade.
O porto de Xangai manteve-se, de forma destacada, como o maior porto de contentores do mundo, superando novamente a fasquia dos 49 milhões de TEU movimentados ao longo do ano. A sua dimensão, aliada a elevados níveis de automação, forte integração ferroviária e ligação directa às principais rotas marítimas internacionais, continua a fazer de Xangai um ponto central do comércio global, tanto para exportações como para fluxos de transbordo. Na segunda posição surge o porto de Ningbo-Zhoushan, que voltou a apresentar um crescimento consistente, ultrapassando os 39 milhões de TEU. Este complexo portuário tem vindo a beneficiar de investimentos contínuos em infraestruturas, bem como da sua proximidade a importantes polos industriais do leste da China, funcionando como complemento estratégico a Xangai e reforçando a capacidade logística da região. O porto de Shenzhen manteve-se no terceiro lugar, com volumes próximos dos 30 milhões de TEU. Apesar de enfrentar maior concorrência regional e algumas pressões resultantes da reconfiguração das cadeias de produção, Shenzhen continua a ser um porto-chave para o comércio externo chinês, em especial nas ligações com o Sudeste Asiático, América do Norte e Europa. Guangzhou ocupa a quarta posição do ranking, confirmando a relevância do delta do Rio das Pérolas como um dos principais motores económicos da China. Com mais de 25 milhões de TEU movimentados, o porto tem beneficiado da diversificação de serviços, da modernização dos terminais e da crescente articulação com plataformas logísticas interiores, permitindo-lhe captar carga para além da sua área tradicional de influência. A fechar o top cinco surge o porto de Qingdao, que registou igualmente um desempenho sólido em 2025, aproximando-se dos 24 milhões de TEU. A sua localização estratégica no norte do país, aliada a uma forte aposta na digitalização e na eficiência operacional, tem permitido a Qingdao afirmar-se como um hub relevante para rotas transpacíficas e para o comércio intra-asiático.
No seu conjunto, estes cinco portos reflectem a escala e a resiliência do sistema portuário chinês, que continua a adaptar-se às transformações do comércio internacional. Apesar de um ambiente global mais incerto, a China mantém uma capacidade logística difícil de igualar, sustentada por investimento público, planeamento de longo prazo e uma forte integração entre portos, indústria e redes de transporte terrestre.