Ocean Alliance lidera corrida global de novas encomendas de porta-contentores.

A mais recente análise da Alphaliner revela que os membros da Ocean Alliance estão na linha da frente da corrida global para expansão da frota de navios porta-contentores. Esta aliança, composta pelos armadores CMA CGM, COSCO, Evergreen e OOCL, soma um total de 207 navios encomendados, colocando-se como o bloco com maior número de novas construções em carteira. Esta aposta estratégica visa reforçar a sua presença nos principais corredores marítimos globais, especialmente nas rotas Ásia-Europa e trans-Pacífico.

Por outro lado, a MSC (Mediterranean Shipping Company), que opera de forma independente após o fim da aliança 2M com a Maersk, surge logo a seguir com 123 novos navios em construção. Esta iniciativa sublinha a ambição da MSC em manter a sua posição de maior armador mundial, confiando na escala e autonomia como motores de competitividade.

No âmbito de novas colaborações, a Gemini Cooperation – fruto da parceria entre a Maersk e a Hapag-Lloyd – já tem 81 embarcações encomendadas. Esta nova aliança, que teve início formal em Janeiro deste ano, constitui uma resposta estratégica às mudanças nas dinâmicas da indústria e visa garantir serviços regulares e sustentáveis nas principais rotas comerciais.

Já a Premier Alliance, composta pelas companhias ONE, HMM e Yang Ming, também prepara o reforço da sua frota com 64 navios encomendados, com particular enfoque nas ligações entre a Ásia e os Estados Unidos, bem como nas rotas intra-asiáticas.

Apesar de todas estas encomendas por parte das grandes alianças e da MSC, os armadores independentes que figuram entre os cem maiores operadores globais também somam um total significativo de 208 navios em carteira. No entanto, a sua influência colectiva continua aquém do peso dos grandes blocos de alianças.

Ao todo, os membros das alianças mencionadas, juntamente com a MSC, representam 475 encomendas de novos navios, o que equivale a cerca de 70% do total global de navios actualmente em construção pelos principais operadores do sector.

Este movimento de concentração e modernização da frota tem implicações profundas para o comércio marítimo mundial. Estima-se que os grandes agrupamentos e a MSC controlem mais de 80% da capacidade total de transporte de contentores, relegando os operadores não alinhados para uma quota inferior a 20%.

A renovação da frota também é reveladora da aposta em soluções mais sustentáveis e eficientes, com muitos dos novos navios preparados para combustíveis alternativos e equipados com tecnologias de redução de emissões. No caso da Ocean Alliance, as novas encomendas representam cerca de 35% da sua frota actual, o que espelha uma estratégia de modernização agressiva.

Estas dinâmicas sublinham uma tendência clara de consolidação no sector, em que a escala, as parcerias estratégicas e a capacidade de investimento se tornaram factores determinantes. Para os carregadores e intervenientes da cadeia logística, esta evolução representa tanto desafios como oportunidades, sobretudo no que toca à estabilidade das tarifas, fiabilidade dos serviços e cobertura das rotas.

O ano de 2025 tem marcado assim uma nova fase no equilíbrio do transporte marítimo de contentores, com o lançamento de novas alianças, a reafirmação de gigantes independentes e um volume recorde de navios prestes a entrar em operação. Num cenário cada vez mais competitivo e regulado, a supremacia dos grandes agrupamentos parece, para já, reforçar-se.

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