
A companhia de navegação ítalo-suíça MSC terá feito transitar um navio porta-contentores pelo Estreito de Bab El-Mandeb, entre o Djibuti e o Iémen, pela primeira vez desde o início da crise no Mar Vermelho, que levou a indústria naval a desviar em massa as suas rotas para o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul.
A informação foi divulgada pela publicação especializada Lloyd’s List, que acompanhou a trajectória do navio MSC Antonia entre o porto de Jidá, na Arábia Saudita, e Singapura, passando por uma zona do Médio Oriente praticamente encerrada à navegação desde que a milícia Houthi começou a atacar navios no final de 2023.
Segundo a Lloyd’s List, que baseia a sua análise em serviços próprios de rastreio de navios, este terá sido o primeiro trânsito conhecido de uma embarcação da MSC desde então.Durante a travessia do Estreito de Bab El-Mandeb, a geolocalização do MSC Antonia foi desactivada. De acordo com os dados de rastreio, o navio porta-contentores, com capacidade de 6.700 TEU, encontrava-se ancorado no porto de Jidá, no Mar Vermelho, desde Maio, tendo partido rumo ao estreito a 19 de Junho. A publicação refere que houve uma interrupção nos dados de rastreio entre 20 e 26 de Junho, e que posteriormente o MSC Antonia reapareceu no oceano Índico, navegando para Leste. Tudo indica, portanto, que o navio atravessou o estreito durante o período em que as transmissões via satélite estiveram desactivadas. A Lloyd’s List terá contactado a MSC, mas não obteve resposta.
Dados fornecidos por empresas de análise desde o início da crise no Mar Vermelho indicam que a suspensão da rota não foi total, apesar de ter tido um impacto significativo nos principais armadores. Algumas companhias continuaram a enviar navios porta-contentores de forma pontual, incluindo a CMA CGM, com apoio de forças navais destacadas por países como a França. Estes embarques pontuais aumentaram nos últimos meses e, no primeiro semestre de 2025, registou-se um crescimento anual de 25% no número médio mensal de navios porta-contentores a transitar pelo estreito, atingindo uma média de 221. Um dos maiores navios a atravessar a foz sul do Mar Vermelho desde o início da crise foi o Osiris, da CMA CGM, com capacidade de 15.000 TEU, que realizou a travessia em Junho.
Apesar da retoma parcial, o regresso à utilização plena da rota do Mar Vermelho permanece limitado. O desvio pelo Cabo da Boa Esperança continua a ser preferido por muitas companhias, tendo contribuído para uma melhor utilização das frotas e para o aumento das tarifas de frete. Várias transportadoras estabeleceram contratos de longo prazo baseados nesta nova rota, o que torna o regresso ao Mar Vermelho menos imediato e mais dependente da evolução da situação de segurança e das condições comerciais.