
O ataque ao porto de Odessa, na Ucrânia, que resultou na morte de dois trabalhadores portuários após a queda de um míssil balístico russo, é um lembrete sombrio dos perigos enfrentados pelos profissionais marítimos em todo o mundo.
Na quinta-feira, 3 de julho, um míssil russo Iskander atingiu um cais do porto enquanto decorriam operações de descarga de metal de um navio com bandeira estrangeira, registado em São Tomé e Príncipe, segundo informou o vice-primeiro‑ministro ucraniano, Oleksiy Kuleba, através do Telegram. Morreram um estivador e um motorista de camião, enquanto outras seis pessoas ficaram feridas, incluindo dois cidadãos sírios que faziam parte da tripulação civil do navio. Kuleba indicou ainda que a infraestrutura utilizada para o manuseamento de navios graneleiros foi danificada, nomeadamente gruas portuárias, veículos e instalações de armazenamento. Fontes ucranianas referem que a embarcação que descarregava a carga de metal também sofreu danos, embora esta informação ainda não esteja confirmada. O ataque ocorreu no mesmo dia em que a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITWF) apelou à designação do Estreito de Ormuz, do Golfo de Omã e dos portos israelitas como Zonas de Operações de Guerra (WOA), o mais rapidamente possível. De acordo com a ITWF, esta classificação garantiria aos marítimos o direito de recusar a entrada nessas zonas e de serem repatriados em segurança e sem penalizações. Desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, as autoridades ucranianas estimam que cerca de 79 trabalhadores portuários, funcionários de logística e tripulações civis morreram vítimas de ataques a portos, infraestruturas logísticas e navios no país.
Desses, incluem‑se pelo menos sete marinheiros civis mortos por ataques diretos a embarcações, levando a que se considere que mais de 20 trabalhadores marítimos perderam a vida em diversas operações ao longo da guerra. Entre os exemplos mais recentes encontra-se o ataque ocorrido em março de 2025, em que quatro marinheiros sírios foram mortos quando um navio carregador de trigo foi atingido no porto de Odessa.