Dessalinização: Solução inovadora para a sustentabilidade hídrica na Economia Azul

A dessalinização tem vindo a afirmar-se como uma tecnologia-chave no contexto da economia azul, sendo considerada uma resposta estratégica para enfrentar a escassez de água potável em muitas regiões do mundo. Este processo consiste na remoção de sais e outras impurezas da água do mar, de água salobra ou até de águas residuais tratadas, tornando-a adequada para consumo humano, uso agrícola ou industrial.

Actualmente, os métodos mais utilizados incluem a osmose inversa, que utiliza membranas semipermeáveis para filtrar os sais, e a destilação térmica, que evapora a água e a condensa, separando-a do sal. A osmose inversa representa mais de 80% das instalações modernas, graças à sua eficiência energética comparada com processos térmicos tradicionais.

No âmbito da economia azul, a dessalinização surge ao lado de sectores como a biotecnologia marinha, a aquacultura sustentável e as energias renováveis oceânicas, contribuindo para o crescimento económico sustentável com base na utilização responsável dos recursos marinhos.

Contudo, apesar do seu potencial, a dessalinização ainda enfrenta vários desafios. O elevado consumo de energia, os custos de operação e manutenção, a emissão de gases com efeito de estufa (quando alimentada por fontes não renováveis) e a gestão dos rejeitos salinos – o chamado salmoura – são obstáculos técnicos e ambientais que requerem atenção. A libertação inadequada desta salmoura no meio marinho pode afetar a biodiversidade local, alterar a salinidade da água e comprometer ecossistemas costeiros.

Para mitigar estes impactos, a investigação tem-se centrado em soluções como o aproveitamento da energia solar e eólica para alimentar as unidades de dessalinização, o desenvolvimento de membranas mais eficientes e duráveis, e a valorização da salmoura para a extração de minerais úteis, como o lítio ou o magnésio.

A integração da dessalinização em estratégias de gestão hídrica e climática revela-se, portanto, essencial, sobretudo em regiões áridas, ilhas e países com escassos recursos de água doce. Com o apoio de políticas públicas, financiamento sustentável e inovação tecnológica, esta atividade poderá desempenhar um papel decisivo na transição para uma economia mais resiliente e sustentável.

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