BIMCO prevê reciclagem de 16.000 navios até 2035.

A organização internacional BIMCO actualizou recentemente as suas projecções, estimando que cerca de 16.000 navios, totalizando aproximadamente 700 milhões de toneladas de porte bruto (DWT), deverão ser reciclados ao longo da próxima década. Esta nova previsão representa um aumento em relação à estimativa anterior de 15.000 navios, e corresponde ao dobro do número de embarcações recicladas na década anterior — quase o triplo em termos de capacidade de transporte.

A análise da BIMCO baseia-se em padrões históricos observados entre 2000 e 2019. Por exemplo, nesse período, cerca de 10% dos navios capesize com 20 anos foram enviados para reciclagem. A BIMCO assume agora que estas tendências se manterão. Navios construídos nas décadas de 1990 e 2000 deverão constituir a maioria da frota a ser desmantelada. Notavelmente, apenas 3% dos navios construídos na década de 2000 foram reciclados até hoje, o que demonstra o potencial significativo de embarcações a chegar ao fim da sua vida útil operacional.

Em termos geográficos, a Ásia do Sul — com destaque para Bangladesh, Índia e Paquistão — foi responsável por 86% do porte bruto reciclado e 58% do número de navios reciclados entre 2015 e 2024. A China, outrora uma potência neste setor, representa atualmente menos de 2% da atividade desde 2017. A Turquia também continua a desempenhar um papel importante, especialmente no desmantelamento de navios de apoio offshore.

Este aumento na previsão de reciclagem ocorre num momento crítico, coincidente com a entrada em vigor da Convenção Internacional de Hong Kong para a Reciclagem Segura e Ambientalmente Correta de Navios, que teve efeito a partir de hoje. Esta convenção exige que todos os navios com arqueação bruta igual ou superior a 500 toneladas possuam um inventário de materiais perigosos a bordo, e impõe que os estaleiros de reciclagem estejam devidamente certificados e cumpram padrões rigorosos de segurança e proteção ambiental.

A BIMCO considera que esta nova regulamentação será um factor-chave para o aumento acentuado das taxas de reciclagem. A partir de 2027, estima-se que o número de navios reciclados anualmente possa ultrapassar o recorde registado em 2012, quando cerca de 1.800 navios foram desmantelados.

Contudo, o ritmo real da reciclagem dependerá de diversos factores, como o estado da economia global, a evolução da procura e oferta no transporte marítimo, e a pressão regulamentar relacionada com emissões e eficiência energética. Caso estas condições se mantenham, espera-se uma transformação significativa na forma como o setor naval lida com o fim de vida das embarcações — uma mudança com profundas implicações ambientais, económicas e operacionais.

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