
O navio de guerra russo Boikiy utilizou um identificador falso para atravessar o Canal da Mancha, numa tentativa de ocultar a sua presença.
A investigação foi conduzida pela BBC, que confirmou, com base em imagens de satélite, registos de localização e vídeos, que a corveta navegava sob uma identidade enganosa. O Boikiy, equipado com mísseis teleguiados, foi identificado a proteger dois petroleiros da chamada “frota fantasma” da Rússia, embarcações usadas para transportar petróleo sob sanções internacionais.
A corveta partiu da Guiné, onde participou numa missão diplomática, e desligou o sistema de Identificação Automática (AIS) durante grande parte da viagem.Perto das Ilhas Canárias, foi detectado um sinal com o número genérico 400000000, utilizado por navios que pretendem indicar a sua presença sem se identificarem. As dimensões e o percurso coincidiram com os do Boikiy. A corveta acabou por se juntar aos petroleiros Sierra e Naxos, ambos sancionados pelo Reino Unido, na entrada do Canal da Mancha, a 20 de Junho. Novas imagens de satélite e dados de radar confirmaram, mais uma vez, a sua identidade real.
A manobra levanta preocupações sobre a forma como a marinha russa tem evitado o rastreamento internacional, especialmente em contextos de sanções.