
Riscos de segurança persistem para os navios no Estreito de Ormuz, com incidentes de bloqueio de GPS sufocando o trânsito pela importante passagem, apesar de um cessar-fogo provisório entre Israel e o Irão.
Na semana anterior a 20 de junho, uma média diária de 970 navios foram alvo de interferências no sinal GPS, segundo estimativas do Maritime Information Cooperation & Awareness Centre, noticiadas pela CNBC. Em paralelo, dados da empresa de inteligência marítima Kpler revelaram uma quebra significativa no tráfego de embarcações através do Estreito de Ormuz, entre os dias 13 e 22 de junho. A análise, baseada nos registos MMSI – códigos únicos de nove dígitos usados para identificar e monitorizar navios –, mostra uma descida de 16.127 para 7.947 sinais registados no total de embarcações, e de 1.120 para 889 no caso específico dos petroleiros.
Esta redução do tráfego coincide com o agravamento das preocupações de segurança na região, o que tem provocado um aumento acentuado nos prémios de seguro e nas tarifas de transporte marítimo. De acordo com a empresa de análise de fretes Xeneta, as tarifas spot de envio de mercadorias entre Xangai e o porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, aumentaram 76% desde meados de maio, com os preços médios por contentor de 40 pés (FEU) a atingirem os cerca de 3.115 euros, tendo por base a taxa de câmbio actual.
Embora Khor Fakkan esteja localizado fora do Estreito, na costa do Oceano Índico, a sua posição estratégica torna-o um ponto-chave de transbordo para as rotas comerciais que ligam o Golfo Árabe, Subcontinente Indiano, Golfo de Omã e África Oriental. Ao contrário do que acontece no Mar Vermelho, onde muitos navios conseguiram desviar as suas rotas para evitar os ataques dos Houthi iniciados em dezembro de 2023, as embarcações que se dirigem a portos situados para além do Estreito de Ormuz não têm alternativas viáveis.
Esta realidade acentua os riscos e as pressões sobre o transporte marítimo internacional, numa região onde os desafios geopolíticos têm impacto direto nas cadeias logísticas globais.