
A indústria de cruzeiros continua em forte ascensão e deverá transportar cerca de 37,7 milhões de passageiros em 2025, segundo projeções da Cruise Lines International Association (CLIA), o que representa um crescimento de 8,9% face aos 34,6 milhões registados em 2024. Para acompanhar esta procura crescente, as companhias associadas à CLIA vão reforçar as suas frotas com a entrada de 11 novos navios já no próximo ano.
O mais recente relatório da CLIA traça também uma visão de longo prazo para o sector. Até 2036, está prevista a incorporação de 56 novos navios oceânicos, fruto de um investimento superior a 56 mil milhões de dólares – cerca de 49,5 mil milhões de euros. Este plano robusto é encarado como um claro sinal de confiança no futuro do turismo de cruzeiros, numa altura em que o sector se posiciona como uma peça fundamental da economia global.
A indústria de cruzeiros tem hoje um impacto económico significativo, contribuindo com mais de 168 mil milhões de dólares (cerca de 146 mil milhões de euros) para comunidades em todo o mundo, gerando 1,6 milhões de postos de trabalho e canalizando investimentos massivos em frotas mais sustentáveis.
A expectativa para os próximos anos mantém-se positiva: até 2028, o número de passageiros poderá chegar aos 42 milhões. Parte desta expansão tem sido impulsionada por novos passageiros — segundo a CLIA, 31% dos passageiros dos últimos dois anos estavam a fazer a sua primeira viagem, o que demonstra a capacidade do sector de atrair novos públicos.
O índice de satisfação também se mantém elevado. Oito em cada dez passageiros demonstram intenção de voltar a viajar de cruzeiro, com destaque para os mais entusiastas: 25% embarcam duas ou mais vezes por ano, 14% realizam duas viagens anuais e 11% chegam a fazer entre três a cinco cruzeiros por ano.
O perfil dos passageiros está igualmente a evoluir. Gerações como os Millennials e a Geração X afirmam-se entre os maiores utilizadores de cruzeiros, valorizando sobretudo a diversidade de experiências a bordo, a possibilidade de explorar múltiplos destinos numa única viagem e o custo-benefício face a outros tipos de férias. Entre as tendências em destaque estão os cruzeiros de expedição e exploração, cujo número de passageiros aumentou 22% em 2024 comparado com o ano anterior.
A América do Norte continua a liderar como maior mercado emissor, com um crescimento de 13% em 2024, enquanto o itinerário preferido mantém-se o das Caraíbas, Bahamas e Bermudas, responsável por 43% dos embarques globais, seguido pelo Mediterrâneo e outras rotas europeias.
No capítulo da sustentabilidade, a indústria aposta firmemente na transição energética: até 2028, estima-se que metade da capacidade de novos navios esteja equipada com motores preparados para operar com GNL ou metanol, com possibilidade de migração para combustíveis biológicos ou sintéticos sem necessidade de grandes alterações técnicas.
A indústria de cruzeiros, outrora associada a um público mais tradicional, surge agora como um sector rejuvenescido, tecnologicamente avançado e ambientalmente consciente, pronto para responder aos desafios do futuro e às exigências de um público cada vez mais diversificado.