Canal do Suez com 1º porta-contentores de grande dimensão em mais de um ano.

O porta-contentores CMA CGM Osiris, com capacidade para 15.536 TEU, atravessou o Canal do Suez a 18 de junho de 2025, marcando a primeira passagem de um navio de grande porte nesta rota em mais de 15 meses.

A embarcação, com 366 metros de comprimento e 156.000 toneladas de porte bruto, simboliza um momento decisivo na tentativa de retoma da atividade regular no canal egípcio, que sofreu uma quebra significativa desde março de 2024, devido a crescentes riscos de segurança na região do Mar Vermelho.

Nos dias anteriores, outras duas embarcações da frota CMA CGM, a Aquila e a Callisto, com cerca de 11.400 TEU cada, também voltaram a utilizar esta rota em direção ao porto de Jeddah, sinalizando um possível regresso gradual da confiança por parte das grandes companhias de navegação.

A Autoridade do Canal de Suez (SCA) tem vindo a implementar medidas estratégicas para atrair novamente os grandes armadores. Em maio, lançou um programa de descontos de 15% nas taxas de trânsito para navios com arqueação bruta superior a 130.000 toneladas, válido por um período de 90 dias. Esta iniciativa, aliada a uma campanha de comunicação mais agressiva, pretende reconquistar o tráfego perdido para rotas alternativas como o Cabo da Boa Esperança, que têm sido preferidas por muitas empresas desde o agravamento da instabilidade regional.

Apesar deste progresso, os desafios permanecem. As seguradoras mantêm os prémios de risco elevados para as rotas que passam pelo Mar Vermelho, reflexo da tensão crescente entre Israel e o Irão e da ameaça de ataques por grupos houthis, embora não se tenham registado incidentes recentes com navios comerciais. A decisão de companhias como a Maersk de suspender temporariamente as escalas no porto de Haifa, por razões de segurança, é também reflexo desse clima de incerteza.

O impacto económico da quebra de tráfego tem sido severo para o Egipto. De acordo com o presidente Abdel Fattah Al-Sisi, o país perdeu cerca de 800 milhões de dólares por mês em receitas, totalizando prejuízos de aproximadamente 7 mil milhões de dólares ao longo de 2024.

A travessia do CMA CGM Osiris poderá assim representar o início de uma recuperação sustentada da importância estratégica do Canal do Suez no comércio marítimo global, dependendo agora da evolução das condições de segurança e da capacidade de resposta das autoridades egípcias e internacionais.

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