Marítimos: Continua a ser uma das profissões mais perigosas do mundo.

O trabalho no mar continua a ser uma das profissões mais perigosas a nível mundial, segundo um novo relatório de grande escala que analisou as experiências de 147.000 pessoas em diversas áreas profissionais em vários países.

De acordo com o mais recente relatório World Risk Poll – Focus On, da Lloyd’s Register Foundation, cerca de 25% dos trabalhadores marítimos afirmaram ter sofrido algum tipo de dano relacionado com o trabalho nos últimos dois anos. Este valor é significativamente mais elevado do que os 18% registados entre trabalhadores de outros sectores, tornando a profissão marítima aquela com maior incidência de lesões ou danos profissionais entre todos os grupos avaliados.

Apesar destes números alarmantes, uma grande parte dos profissionais do mar não recebeu qualquer formação em segurança e saúde no trabalho (SST). Mais de dois terços (68%) disseram nunca ter recebido esse tipo de formação, e apenas 25% afirmaram tê-la feito nos últimos dois anos. Esta lacuna na preparação contribui para a vulnerabilidade da força de trabalho marítima, especialmente tendo em conta os riscos crescentes no ambiente oceânico.

O relatório revela ainda que os trabalhadores do mar são os mais afectados por fenómenos meteorológicos extremos. Um terço (33%) afirmou ter sofrido danos sérios devido a condições meteorológicas adversas — como tempestades, ventos fortes e mar agitado — nos últimos dois anos, em comparação com apenas 20% dos trabalhadores de outros sectores. Este dado destaca a exposição directa dos marítimos às alterações climáticas, que têm vindo a agravar a frequência e intensidade de eventos climáticos extremos em todo o mundo.

A profissão marítima abrange uma vasta gama de funções, desde pescadores artesanais e tripulantes de navios mercantes, até operadores de plataformas offshore e técnicos de manutenção em parques eólicos no mar. Em muitas regiões — incluindo na Europa e no Mediterrâneo — os trabalhadores do mar enfrentam jornadas longas, isolamento, dificuldades no acesso a cuidados de saúde, e agora, com o aumento das tensões geopolíticas e do clima extremo, um nível acrescido de incerteza e risco.

Face a estes dados, especialistas alertam para a necessidade urgente de reforçar os programas de formação em segurança marítima, melhorar as condições de trabalho a bordo e garantir uma maior fiscalização internacional das normas de segurança nos oceanos. Num sector vital para o comércio global, a segurança dos trabalhadores do mar não pode continuar a ser negligenciada.

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