
O recente escalar do conflito entre Israel e o Irão está a gerar um novo clima de instabilidade no Médio Oriente, com consequências directas para o comércio marítimo global. A crescente tensão militar, incluindo ataques aéreos e ameaças ao tráfego naval, está a afetar gravemente a segurança na região do Mar Vermelho e, sobretudo, no Canal do Suez — um dos principais corredores de ligação entre a Ásia e a Europa.
Perante este cenário, muitas companhias marítimas optam por evitar o Canal do Suez, redireccionando as suas rotas em torno do Cabo da Boa Esperança. Esta mudança tem provocado uma reorganização dos fluxos logísticos, reforçando o papel estratégico dos portos mediterrânicos, como Tanger Med, Algeciras, Valência, Malta, Pireu, Porto Saíd e Barcelona. Estes portos estão a tornar-se pontos-chave de entrada, transbordo e redistribuição de mercadorias com destino à Europa.
A incerteza regional, agravada pela possibilidade de alastramento do conflito Israel-Irão a outros países vizinhos, pode tornar esta nova configuração mais permanente. Neste contexto, os portos do Mediterrâneo ganham relevância geopolítica e económica, mas enfrentam também riscos associados à volatilidade da região e ao aumento das tensões globais.