
O Porto de Sines está a ser considerado como uma alternativa estratégica para a entrada de frutas frescas oriundas do Brasil no continente europeu.
Esta possibilidade surge no âmbito de uma iniciativa da associação brasileira que representa a maior parte das exportações de frutas do país, com o objectivo de melhorar a eficiência e competitividade da logística internacional.
A proposta passa por estabelecer uma ligação direta entre o Nordeste brasileiro, principal região produtora, e o porto de Sines, evitando assim o percurso tradicional que obriga a passagem pelas plataformas portuárias do norte da Europa, como Roterdão. Com esta mudança, espera-se reduzir o tempo de transporte e os custos associados, ao mesmo tempo que se aproxima o produto dos mercados consumidores finais no sul da Europa.
Sines surge como uma solução atractiva devido à sua infraestrutura moderna, preparada para movimentar carga refrigerada e contentores, e também pela digitalização dos processos logísticos. A localização geográfica favorável e as boas conexões para o interior do continente europeu reforçam o potencial do porto como plataforma de distribuição de produtos agroalimentares.
Os produtos que se pretende fazer chegar através desta nova rota incluem frutas tropicais com elevada procura, como manga, mamão, melão e uva, que representam uma parte significativa das exportações agrícolas brasileiras com destino à Europa e ao Reino Unido. Além dos aspectos logísticos, a escolha de Sines enquadra-se numa estratégia mais ampla de diversificação do tipo de cargas movimentadas pelo porto, historicamente associado à energia e combustíveis. A aposta nas exportações agroalimentares poderá abrir caminho a novos investimentos em unidades de armazenagem, transformação e distribuição, dinamizando a economia regional.
O avanço deste plano envolve agora contactos com empresas de transporte marítimo, operadores logísticos e produtores, bem como a articulação entre entidades governamentais dos dois países. A concretização deste projeto poderá posicionar Sines como uma nova porta de entrada para os produtos agrícolas sul-americanos, reforçando o seu papel no panorama logístico europeu.