
Foi oficialmente constituído ontem um grupo de 20 países considerados líderes na protecção dos oceanos, entre os quais se encontra Portugal.
O anúncio foi feito por Olivier Poivre D’Arvor, enviado especial francês à terceira Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano (UNOC3), que decorre até ao final do dia.Segundo Poivre D’Arvor, a formação deste grupo representa um marco importante:
“Estes 20 países fizeram o seu trabalho de casa”, afirmou durante a conferência de imprensa de encerramento da UNOC3. Os membros da coligação já ratificaram o Tratado do Alto Mar, que visa salvaguardar as águas fora das jurisdições nacionais, apoiaram a implementação de uma moratória à mineração em mar profundo e comprometeram-se a assegurar que 30% das suas zonas marinhas estejam protegidas até 2030.
A ideia de criar este grupo partiu de uma proposta apresentada em março pela Fundação Oceano Azul ao Presidente francês. Tiago Pitta e Cunha, administrador-executivo da fundação, salientou aos jornalistas portugueses presentes na conferência que esta iniciativa é “um sinal muito positivo” e representa a vontade de vários países em liderar pelo exemplo, ao já terem assumido compromissos concretos em defesa dos oceanos.“A Fundação Oceano Azul tem trabalhado intensamente neste sentido, tendo inclusive elaborado um memorando dirigido aos líderes mundiais, apelando à criação deste grupo de vanguarda”, recordou Pitta e Cunha.
O responsável explicou ainda que esta proposta surge como resposta à discrepância entre a gravidade da crise oceânica e a lentidão com que a comunidade internacional tem reagido. “Existe uma grande desproporção entre os desafios que o oceano enfrenta e a velocidade com que os decisores políticos estão a agir”, afirmou. Por isso, considera fundamental reunir uma coligação que funcione como motor de mudança e impulsione uma nova agenda global para os oceanos.Além de Portugal, integram este grupo países como o Chile, Costa Rica, Espanha, Finlândia, França, Tuvalu, Vanuatu e Malta.