Tráfego recorde no Canal do Panamá.

O tráfego de navios porta-contentores através do Canal do Panamá atingiu níveis históricos durante os primeiros cinco meses de 2025, com mais de 1.200 embarcações a transitarem pelas eclusas em ambas as direcções — o maior registo de sempre para este período.

Este número representa um aumento de 10,2% em relação ao mesmo período de 2024 e um crescimento de 4,1% face ao anterior recorde, estabelecido no início de 2022. Este marco é particularmente significativo num contexto de desafios climáticos enfrentados pelo canal nos últimos anos, como a escassez de água doce necessária para o funcionamento das eclusas.

O crescimento foi impulsionado sobretudo pela frota Neo Sub-Panamax, composta por navios com capacidade entre 7.500 e 10.000 TEUs (unidades equivalentes a vinte pés), que se afirmaram como a classe dominante no tráfego de contentores pelo canal, sendo responsáveis por mais de 25% de todos os trânsitos desde Janeiro. O número de travessias deste tipo de navios aumentou 30,2% em relação ao ano anterior, evidenciando a elevada procura por embarcações de médio porte que maximizam a eficiência operacional dentro dos limites do canal ampliado.

Este dinamismo sublinha a importância estratégica contínua do Canal do Panamá como elo vital nas cadeias de abastecimento globais, especialmente para as rotas entre a Ásia, a América Latina e a costa leste dos Estados Unidos, onde o equilíbrio entre capacidade, tempo de trânsito e custo operacional é determinante.

Por contraste, o Canal de Suez continua a registar uma acentuada diminuição do tráfego marítimo, em grande parte devido às tensões geopolíticas no Mar Vermelho e ao desvio sistemático de rotas por parte das principais companhias de navegação. Navios porta-contentores com capacidade superior a 4.000 TEUs tornaram-se cada vez mais raros naquela rota, e até o segmento Sub-Panamax (navios de menor porte) sofreu quebras significativas.

Em maio de 2025, o número de travessias mensais de porta-contentores pelo Canal de Suez caiu para menos de 100, pela primeira vez desde julho de 2024 — uma quebra simbólica que evidencia o realinhamento das rotas comerciais globais em resposta a riscos regionais e à busca por alternativas mais seguras, como a circunavegação do Cabo da Boa Esperança.

Estes desenvolvimentos revelam uma crescente bipolarização no transporte marítimo internacional, com corredores estratégicos a ganharem ou perderem protagonismo em função de factores geopolíticos, climáticos e logísticos. O Canal do Panamá consolida-se como um pilar vital da navegação de médio porte, enquanto o Suez enfrenta uma crise operacional sem precedentes na sua história recente.

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