
A CK Hutchison confirmou a MSC como principal investidora de um consórcio que procura adquirir 43 de seus activos portuários globais, num negócio avaliado em US$ 19,84 bilhões de euros.
O anúncio foi feito por Dominic Lai, codiretor administrativo da CK Hutchison, na assembleia geral anual da empresa, a 22 de maio. Segundo a Reuters, Lai confirmou o envolvimento da MSC quando questionado directamente, afirmando que o gigante do transporte marítimo foi a principal investidora “desde o início”.
A MSC não havia sido oficialmente nomeada anteriormente no grupo de licitação, liderado pela empresa de investimentos americana BlackRock.
A venda inclui activos estrategicamente significativos, como dois portos ao longo do Canal do Panamá, uma região de interesse geopolítico contínuo. A Reuters destacou que a transação proposta gerou debate político, particularmente no contexto das crescentes tensões entre os EUA e a China.
Em abril, o principal regulador de mercado da China declarou que estava monitorizando de perto o negócio e enfatizou que todas as partes envolvidas devem cumprir as regulamentações. Desde então, a CK Hutchison emitiu garantias de que a transação “obedeceria rigorosamente a todos os padrões de conformidade exigidos”, segundo a Reuters.
O investimento proposto também atraiu atenção nos EUA. Como noticiado pela Reuters, o presidente Donald Trump caracterizou o negócio como uma medida para restringir a influência chinesa no Canal do Panamá, chamando-o de “recuperação” da hidrovia.
A CK Hutchison, controlada pelo bilionário de Hong Kong Li Ka-shing, está realizando uma das mudanças mais substanciais na propriedade de terminais vistas globalmente nos últimos anos. Como destaca a Reuters, a confirmação da liderança da MSC pode sinalizar uma nova direcção no controlo e na operação de algumas das infraestruturas portuárias mais estratégicas do mundo.
Num evento anterior, a CK Hutchison afirmou que adiaria a venda de suas duas operações portuárias no Canal do Panamá para o consórcio liderado pela BlackRock. O adiamento ocorreu após crescente pressão política de Pequim.