Índia: Medidas contra a MSC pelo naufrágio de porta-contentores com 28 anos.

Dois naufrágios ocorridos nas últimas semanas estão a dominar as manchetes na Índia, reacendendo o debate público sobre a falta de controlo e fiscalização sobre navios antigos que continuam a operar nas águas territoriais do país.

Quase três semanas após o naufrágio do MSC Elsa 3, um navio com 28 anos de operação, ao largo da costa de Kerala, a Polícia Marítima do estado formalizou um processo criminal contra a Mediterranean Shipping Company (MSC) — proprietária da embarcação — bem como contra o capitão e os membros da tripulação. A acção judicial surge na sequência de forte pressão pública e críticas dirigidas ao governo indiano pela sua alegada inércia face a um incidente com graves consequências ambientais, que resultou na contaminação de uma vasta extensão da linha costeira.

O navio porta-contentores, construído em 1997, afundou-se a 25 de Maio enquanto navegava de Vizhinjam para o porto de Kochi, aproximadamente 25 km a sudoeste de Alappuzha, transportando mais de 600 contentores, incluindo carga perigosa e grandes quantidades de gasóleo marítimo.

Vários contentores deram à costa em Kerala, enquanto partículas de plástico industrial — conhecidas como nurdles — espalharam-se ao longo das praias de Kollam e Thiruvananthapuram. Foram ainda detectadas pequenas manchas de óleo nas águas de Alappuzha. A acusação formal imputa à MSC e à tripulação navegação imprudente e conduta negligente.

Entretanto, um segundo incidente, também ao largo de Kerala, continua a gerar grande preocupação.

Trata-se do incêndio a bordo do Wan Hai 503, um navio porta-contentores com 20 anos de serviço, que deflagrou no início da semana ao largo da costa entre os portos de Beypore e Azhikkal. Apesar dos esforços da Guarda Costeira Indiana (ICG) e de uma equipa especializada do Centro de Resposta a Emergências Marítimas, o incêndio permanece ativo, com secções do navio ainda a arder intensamente, rodeadas por densas nuvens de fumo tóxico.

As autoridades conseguiram conectar um cabo de reboque à embarcação, mas um plano inicial para rebocar o navio de 4.333 TEUs até ao Porto de New Mangalore foi cancelado devido ao elevado risco de explosão, uma vez que o fogo se aproximou perigosamente dos depósitos de combustível — que armazenam 2.000 toneladas de fuelóleo e 240 toneladas de gasóleo.

O Centro Nacional Indiano de Informação Oceânica alertou que contentores caídos ao mar podem ser arrastados pelas correntes marítimas em direcção à costa de Kerala — entre Kozhikode e Thrissur — e ainda atingir partes do sul do Tamil Nadu e Sri Lanka nos próximos dias. A embarcação continua à deriva e em constante deslocação, dificultando as previsões sobre o trajecto de dispersão.

Embora ainda não tenham sido identificadas falhas estruturais significativas além de uma inclinação de 15 graus a bombordo, a presença a bordo de 143 contentores com carga altamente perigosa representa um risco ambiental e de segurança de grande magnitude.

Das 22 pessoas a bordo do Wan Hai 503, 18 foram resgatadas com vida, enquanto quatro continuam desaparecidas — dois cidadãos de Taiwan, um da Indonésia e um de Myanmar. Operações de busca e salvamento prosseguem por mar e ar. Entre os feridos, um cidadão chinês já teve alta hospitalar, mas dois permanecem em estado grave sob cuidados intensivos em Mangaluru.

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