
O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou nesta sexta-feira, 30 de maio, os dados definitivos relativos ao desempenho da economia portuguesa no primeiro trimestre de 2025. As estatísticas validadas coincidem com as estimativas preliminares divulgadas a 2 de maio, apontando para uma contração de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em cadeia, ou seja, face ao trimestre imediatamente anterior.
Em termos homólogos, registou-se um crescimento de 1,6%, comparando com os primeiros três meses de 2024. De acordo com o INE, a quebra trimestral está fortemente associada à inversão do contributo da procura externa líquida para o crescimento económico. Enquanto no último trimestre de 2024 esse contributo foi positivo (+0,7 pontos percentuais), no primeiro trimestre de 2025 tornou-se negativo (-0,7 p.p.), reflectindo uma diminuição das exportações de bens e serviços e um aumento simultâneo das importações.
Este desequilíbrio externo teve repercussões directas na actividade logística, nomeadamente na movimentação portuária. De acordo com fontes do sector, registou-se uma queda na tonelagem movimentada nos principais portos nacionais — como Sines, Leixões e Lisboa — sobretudo nas exportações de mercadorias industriais e produtos energéticos. A redução da procura externa afectou o volume de contentores e cargas destinadas a mercados internacionais, sinalizando uma desaceleração na cadeia logística associada ao comércio externo. Por outro lado, o aumento das importações contribuiu para algum dinamismo nas entradas de mercadorias, embora insuficiente para compensar a quebra global da actividade. Operadores portuários têm alertado para a necessidade de políticas que reforcem a competitividade das exportações, uma vez que os portos funcionam como termómetro da saúde económica externa do país.
Estes dados surgem num contexto internacional de abrandamento do comércio global, instabilidade geopolítica e custos logísticos ainda elevados, o que coloca desafios adicionais para a recuperação económica de Portugal no segundo trimestre de 2025.