
Janeiro registou o pior desempenho em dez anos, com quedas acentuadas em Sines, Setúbal e Lisboa. Apenas Viana do Castelo apresentou crescimento.
O sistema portuário comercial do continente português arrancou o ano de 2025 com um desempenho negativo, ao movimentar apenas 5,7 milhões de toneladas de carga em janeiro. Este valor representa uma quebra de 22,2% face ao mesmo mês de 2024 e é o mais baixo não só dos últimos 12 meses, como também de todos os meses de janeiro da última década.
Entre os portos nacionais, apenas Viana do Castelo contrariou a tendência geral, registando um aumento de 12 mil toneladas, equivalente a +37,6%. Em contrapartida, os maiores decréscimos verificaram-se em Sines (-1,1 milhões de toneladas; -25,8%), seguido de Setúbal (-34,6%), Leixões (-15,7%), Lisboa (-17,2%) e Aveiro (-8,8%). Os portos de Faro e Figueira da Foz também apresentaram reduções, sendo que Faro não registou qualquer movimentação no período.
Também o segmento de contentores sofreu um forte revés: menos 20,4% em comparação com janeiro de 2024, totalizando 209 mil TEU. A quebra foi transversal a todos os portos, com destaque negativo para Sines (-25,3%), Lisboa (-13,8%), Leixões (-10,1%) e Figueira da Foz (-25,5%). Aveiro permanece praticamente sem movimento de contentores desde meados do ano passado.
O número de escalas de navios caiu também 12,4%, com um total de 678 escalas em janeiro. Ainda assim, portos como Viana do Castelo, Leixões e Portimão registaram ligeiras subidas.
Do lado positivo, salienta-se o aumento significativo da movimentação de produtos agrícolas em Aveiro, com um crescimento de 344,3%. Já no campo das quebras, destacam-se:
- A redução da carga contentorizada, produtos petrolíferos e petróleo bruto em Sines;
- A queda de produtos agrícolas e carga contentorizada em Lisboa;
- E a redução de outros granéis sólidos em Leixões e Setúbal, bem como da carga fracionada em Aveiro.
Na perspetiva das operações, janeiro registou 3,3 milhões de toneladas desembarcadas (58,9% do total, -22,1% face a 2024) e 2,3 milhões de toneladas embarcadas (-22,3%).
Apesar do cenário negativo, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) sublinha que os dados de um único mês não devem ser interpretados como tendência definitiva, dada a volatilidade dos mercados portuários e a influência de fatores macroeconómicos internacionais. A evolução da economia global, ajustamentos nos fluxos comerciais e avanços tecnológicos poderão alterar substancialmente o panorama ao longo do ano.