O Enoturismo Subaquático da “Adega do Mar” por Joaquim Parrinha.

Em pleno coração do Litoral Alentejano, um projeto ousado está a colocar Portugal no mapa da inovação vinícola. A Adega do Mar, iniciativa liderada pelo agrónomo e mergulhador Joaquim Parrilha, aposta no envelhecimento subaquático de vinhos para criar sabores únicos e impulsionar o enoturismo na Costa Alentejana, oferecendo uma proposta que une tradição e criatividade.

Um conceito que vem do fundo do mar

A ideia de submergir garrafas não é inédita no mundo. Desde 2014, regiões como Champagne, Califórnia e Espanha já experimentam os efeitos do oceano nos vinhos. Em Portugal, porém, o conceito ganha vida com a Adega do Mar, que testa garrafas de diversas origens nacionais nas profundezas marinhas, explorando como o ambiente aquático transforma o paladar.

Valorização dos vinhos e da região

Para Parrinha, a iniciativa é mais do que uma experiência científica — é uma estratégia para destacar os vinhos alentejanos no cenário global, com foco no mercado norte-americano. “Queria inovar e dar à Costa Alentejana um produto que a diferenciasse, algo que levasse Portugal ao mundo”, declarou numa entrevista recente. Os vinhos envelhecidos no mar ganham mineralidade, suavidade e uma textura sedosa, com uma maturação acelerada que equivale a quatro anos extras, segundo especialistas. Hoje, 26 produtores já embarcaram no projeto, com um mínimo de 30 garrafas cada.

O impacto econômico também chama atenção: o valor das garrafas pode multiplicar-se por dez, variando de 12 a 48 euros, dependendo da imersão. E não para por aí: cerveja, gin, rum, aguardente, whisky, licores, azeite e mel também estão sendo testados.

Enoturismo subaquático: uma experiência única

A Adega do Mar vai além da produção. Com o enoturismo subaquático, turistas podem mergulhar para buscar suas garrafas e degustá-las em seguida, seja a bordo de embarcações ou em espaços parceiros, como restaurantes e turismos rurais. Com capacidade para mais de um milhão de garrafas, o projeto quer fazer de Sines um destino obrigatório para quem busca vinho e aventura, colocando a Costa Alentejana como referência em inovação e turismo.

Foto: Ecoalga

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