As disrupções existentes no Mar Vermelho, que é uma das mais
importantes rotas globais do comércio marítimo, onde circula 15% da mercadoria,
irá provavelmente penalizar a capacidade da indústria entre a Ásia e a Europa
até 20% no segundo trimestre, de acordo com a previsão do segundo maior armador
global, a Maersk, que tem vindo a
redefinir os trajectos dos seus navios desde o início dos ataques dos Houthis
na região.
De acordo com o armador dinamarquês: “A zona de risco
expandiu-se e os ataques estão a chegar mais longe no mar”, citada pela
“Reuters”, realçando que a situação no Mar Vermelho forçou ao desvio dos navios
que opera, levando a viagens mais longas, demoradas e com custos adicionais.
So no que concerne aos custos de combustível da Maersk nas
rotas afectadas entre a Ásia e a Europa aumentaram cerca de 40% por viagem, de
acordo com a informação dada pelo porta-voz. De acordo com esse mesmo porta-voz
da Maersk, a situação na zona é “complexa” e continua a “evoluir”, alertando
que as perturbações têm causado efeitos em cascata em várias outras rotas de
transporte de contentores, particularmente da Ásia para as costas leste e oeste
da América do Sul. Na semana passada, a Maersk previu que as perturbações se
prolongariam pelo menos até ao final do ano.
A par da Maersk, o armador alemão Hapag-Lloyd, que também
tem vindo a reencaminhar os navios para outras rotas, previu que a crise seja
ultrapassada antes do final do ano. “Os ataques no Mar Vermelho e no Golfo de
Aden estão a deslocar-se cada vez mais para o mar. É por isso que estamos a
evitar completamente esta zona”, fez saber a empresa sediada em Hamburgo.
Já o armador francês, CMA CGM, sediada em Marselha, mantém
as rotas de alguns navios através do Mar Vermelho, que têm sido escoltados por
fragatas da marinha francesa ou de outras marinhas europeias. Contudo, a
maioria dos navios que detém está a ser reencaminhada em torno de África, segundo
o seu Presidente Rodolphe Saade, em declarações ao periódico ‘Le Monde’.
A Maersk anunciou, no início do ano, uma estimativa de
EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações) entre mil
e seis mil milhões de dólares em 2024, que comparam com 9,6 mil milhões obtidos
em 2023.
