A Directora-geral da UNESCO apelou para um maior investimento
internacional na investigação dos oceanos, para os conhecer e proteger melhor
no contexto das alterações climáticas, na abertura da Conferência da Década do
Oceano, em Barcelona.
Audrey Azoulay lembrou que apenas 15% do fundo do oceano foi
mapeado em profundidade e que as missões ao fundo do oceano são insignificantes
em comparação com as missões ao espaço.
“Muito precisa de ser feito e pode ser feito para estudar e
proteger os oceanos. E para isso devemos investir na ciência e continuar com a
cooperação internacional”, disse, reconhecendo que tal “é difícil” numa altura
de “crise e fragmentação da comunidade internacional”.
“Mas se algo nos pode unir são os oceanos”, afirmou Azoulay,
alertando que os “mares estão a sufocar” devido ao calor e que todos os anos
são atingidas temperaturas recorde.
Na mesma linha, o príncipe do Mónaco, Alberto II, pediu à
comunidade internacional para apoiar a ciência, que classificou como a melhor
“linguagem comum” para proteger os oceanos.
Ameaçados pelo aquecimento global que causa catástrofes
naturais e a extinção de espécies, os oceanos exigem “respostas globais”,
assinalou.
“Devemos mobilizar-nos através da ciência. Só a ciência nos
permitirá compreender o que nos traz o futuro, que espécies estão a desaparecer
e antecipar”, defendeu Alberto II, lembrando que a investigação oceanográfica é
um campo de estudo para o qual o Mónaco tem “orgulho” de contribuir desde a
época do seu avô, há mais de 150 anos.
Nomeado no ano passado “patrono” da Aliança da Década dos
Oceanos pela UNESCO, o Presidente de Cabo Verde interveio igualmente na
abertura da conferência, tendo defendido que esta deve representar um incentivo
para conseguir compromissos sobre a defesa dos mares.
“O desafio ao qual temos de responder é saber se estamos ou
não equipados com as respostas adequadas”, observou José Maria Neves.
O chefe de Estado deste país de língua oficial portuguesa
destacou o papel crucial que os oceanos ocupam em Cabo Verde, onde 7% do mar
são áreas protegidas para conservar a biodiversidade marinha.
“É a maior riqueza natural do país”, declarou, afirmando que
o executivo cabo-verdiano tem promovido a governação sustentável do oceano e a
correcta manutenção dos recursos marinhos. A poluição marinha, os ecossistemas, a ligação entre oceano
e clima, a economia sustentável dos mares e os sistemas de observação, previsão
e alerta precoce são alguns dos temas mais relevantes.
