NRP Arpão é o 1º submarino português a navegar debaixo do gelo do Ártico

O submarino Arpão navegou durante quatro dias debaixo da
placa de gelo do Ártico, tornando-se no primeiro navio português a fazê-lo,
informou a Marinha.

“O NRP Arpão tornou-se, se não no primeiro, num dos muito
poucos submarinos convencionais a navegar debaixo do gelo, uma área normalmente
reservada aos submarinos de propulsão nuclear. Permaneceu debaixo da placa de
gelo num total de cerca de quatro dias, tendo também explorado a operação na
Marginal Ice Zone, zona com grande densidade de gelo solto e com elevado valor
tácito, em que nenhum outro submarino do ocidente se atreveu a operar, desde a
II grande Guerra, com total sucesso”, indica aquele ramo.

O submarino ‘Arpão’ partiu da Base Naval de Lisboa no dia 03
de abril, com 36 militares a bordo, para participar na operação ‘Brilliant
Shield’, da Aliança Atlântica. Na ocasião, o Chefe do Estado-Maior da Armada,
almirante Henrique Gouveia e Melo, salientou que a “importância
elevada” desta missão por se tratar da primeira vez que um submarino
português vai operar “por baixo do gelo Ártico”.

Em comunicado, a Marinha indica que em 28 de abril, o
‘Arpão’ largou do porto de Nuuk, na Gronelândia, “para a realização da Operação
ÁRTICO 2024″, que contou com a presença a bordo de Gouveia e Melo,
“decano dos submarinistas no ativo”.

No dia seguinte, passou o “mítico paralelo 66º33’N, que
marca a fronteira do Círculo Polar Ártico, algo que à semelhança da passagem do
Equador, é uma marca relevante para todos os marinheiros”, destaca a Marinha,
assinalando que “esta marca ainda não tinha sido alcançada pelos submarinistas
portugueses”.

O submarino voltou à superfície “em segurança” em 03 de
abril e a Marinha salienta que esta foi “uma das maiores aventuras” deste navio
até à data.

A nota divulgada aos jornalistas refere que, “além de
adicionar uma nova capacidade aos submarinos portugueses e, consequentemente, à
Marinha, o Arpão pôs mais uma vez em prática a “arte de bem fazer”, o que
demonstrou que mesmo com todas as condicionantes, mas com dedicação,
competência e força de vontade é possível continuar a ultrapassar novos
desafios alcançando objetivos considerados por muitos, incluindo aliados,
inultrapassáveis”.

A Martinha explica que para navegar debaixo do gelo “foi
necessário um intenso período de preparação e estudo, em que a guarnição quase
que teve que ‘reaprender’ a operar o navio, uma vez que a navegação submarina
nas altas latitudes apresenta condições ambientais, sonoras e perigos à
navegação, como a existência de icebergs e gelo solto, obrigando assim a
adaptar muitos dos normais procedimentos e técnicas normalmente usadas pelos
submarinos, quando a navegar em latitudes mais baixas”.

No comunicado, é indicado também que nos “quase sete meses
de preparação”, o Arpão passou por um processo de manutenção “adaptado para
fazer face às especificidades da missão, nomeadamente a instalação de uma
proteção na torre para os mastros” e de “um sonar de alta frequência na torre
do submarino”.

A Marinha refere ainda que no ano passado “o Arpão navegou
212 dias, atravessou o Atlântico duas vezes, esteve presente em sítios tão
longínquos como o Rio de Janeiro, no Brasil e a Cidade do Cabo, na África do
Sul, e ainda terminou o ano operacional com uma patrulha no Mediterrâneo”.

Nesta operação, os militares portugueses contaram com o
apoio das marinhas dos Estados Unidos da América, Dinamarca e Canadá.

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