O Shipping tem tido subidas e descidas pelos mais variados
momentos na última década. Apesar dessas curvas e contracurvas, e dos cenários
actuais serem cada vez mais desafiantes, a capacidade da indústria do Shipping em
adaptar-se às novas circunstâncias, de moldar-se aos eventos, pode muito bem
abrir espaço para algum tipo de recuperação, algures ainda este ano.
Tem sido uma década atribulada e de diferentes estratégias.
As estratégias das alianças marítimas, que passaram ser vistas como centros de
expansão e partilha de recursos ao serviço dos clientes, que mesmo com as
conhecidas alterações, terão tudo para se manter, ainda que noutros formatos.
A pandemia da COVID-19, não só foi o maior desafio das
últimas décadas, no meio de uma paragem abrupta que provocou uma crise de abastecimento,
tanto em atrasos como em interrupções devido aos condicionamentos e cercas sanitárias,
que também causaram no seu todo, muito lucro recorde para a indústria.
Após a superação notável desse desafio, os lucros caíram para
os armadores, em boa parte, pelo excesso de capacidade e também de contentores vazios,
o que provocou nova adaptação a uma nova fase global.
Quando se pensava que não haveria novos condicionamentos, primeiro
o conflito na Ucrânia com impacto no Mar Negro e nas exportações de cereais
ucranianas, como posteriormente a seca prolongada e muito limitativa no Canal
do Panamá e um novo conflito bélico, com foco regional do Médio Oriente com
impacto no Mar Vermelho e Canal do Suez, volta a colocar obstáculos.
Mesmo perante as crises, nem tudo está perdido e tudo muda
num ápice.
Na componente económica, há indícios de que as coisas
poderão melhorar. Em Portugal, ainda é cedo para afirmar qualquer mudança, em
função das eleições de 10 de Março. Numa das maiores economias mundiais, os EUA,
apesar do factor eleições, estão a registar crescimento tanto da economia, como
na parte do emprego, o que é um factor relevante para alavancar a procura. Já
não existe o medo do papão da inflação, que já é visível no preço mais baixo da
componente das energias e combustíveis, que ajudará as empresas do sector
portuário, logístico e outros.
Na componente geopolítica, (uma componente sempre instável),
pese os contínuos ataques no Mar Vermelho pelas mãos dos rebeldes Houthis, que alteraram
a configuração normal de passagem de navios pelo Canal do Suez, é observado um
certo desgaste nos EUA, que já iniciariam movimentação para um travão no prolongado
conflito Israel – Hamas, indiciado pelas viagens constantes do Secretário de
Estado dos EUA, Antony Blinken ao Médio Oriente. Não quer dizer que vá existir uma
solução no curto prazo, mas o caminho já está a ser trilhado para parar a
guerra e devolver a confiança e melhorar o “insight” no que concerne às
perspectivas da economia.
Para além destas componentes, há desafios. Uma pergunta tem
de ser feita: O que ainda pode ameaçar o possível crescimento do Shipping? Um
que já conhecemos e que ao prolongar-se mais pode ter efeitos ainda mais nefastos.
Os custos adicionais às empresas devido ao aumento de custos que enfrentam
devido à reorganização que levou a contornar o continente africano, no ponto
mais preocupante, sendo o segundo ponto, menos preocupante, porque tudo aponta
a que volte à normalidade, que é a questão no Canal do Panamá.
As tendências poderão ser mais positivas, ao contrário do
que se esperava no final do ano passado. Tudo depende de vários factores, mas
são cada vez mais aqueles que acham que os astros podem alinhar-se na melhor
maneira possível.
