Secretário de Estado defende aposta no oceano na transição de governos

 

“Nestas questões do clima e
da sustentabilidade precisamos sempre de ter muita coerência e muita
consistência, por isso, é importante que estes processos não tenham
interrupções”, defendeu o secretário de Estado José Maria Costa, em
declarações à agência Lusa.

O secretário de Estado está no
Dubai, Emirados Árabes Unidos, a participar na 28.ª Conferência das Nações
Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28), que no sábado dedica o programa
temático à natureza e ao oceano, muitas vezes esquecido nas discussões centrais
das cimeiras do clima.

Portugal, considera o governante,
tem liderado pelo exemplo através de um conjunto de políticas públicas, mas
também pela aposta na investigação científica sobre os oceanos, que vários
especialistas dizem ser ainda insuficiente.

“Há, de facto, uma grande
capacidade de mobilização das universidades e dos centros de investigação em
Portugal e hoje já somos reconhecidos e fazemos parte dos grandes consórcios
internacionais”, afirmou, sublinhando também o papel das agendas
mobilizadoras no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência.

A título de exemplo, referiu o
Pacto da Bioeconomia Azul, agenda mobilizadora liderada pela Inovamar, que
pretende mudar o paradigma no sentido da descarbonização com 52 novos produtos
e serviços ligados aos recursos marinho, em áreas como os biocombustíveis,
biomateriais ou aquacultura.

Insistindo na importância da
investigação, José Maria Costa defendeu que a continuidade dos projetos não
pode estar dependente deste ou daquele executivo e, numa altura em que o
Governo está já em gestão, considerou que devem ser salvaguardados durante a
transição.

“É importante que num
processo de transição entre governos haja uma continuidade das linhas de
investigação e uma continuidade nos processos para que não se percam estes anos
de investigação”, sublinhou.

A propósito da COP28 e da relação
entre o oceano e as alterações climáticas, que cimeira após cimeira parece não
ser plenamente reconhecida, o secretário de Estado entende que também nesse
âmbito o país tem agido como promotor e o tema foi até destacado pelo
primeiro-ministro, António Costa, na sua intervenção durante a cimeira dos
líderes.

“Cada vez mais sente-se esta
incomodidade da comunidade internacional pelo facto de (nas cimeiras do clima)
o tema dos oceanos não ser já um tema mais central e mais presente nas
conclusões”, afirmou, destacando o importante papel do oceano na absorção
dióxido de carbono emitido e do calor em excesso, causado pela emissão de gases
de efeito de estufa.

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