Argentina: Afirma não haver condições para ratificar acordo Mercosul/UE.

A Argentina considerou que não
estão reunidas as condições para a aprovação do acordo de comércio livre entre
o Mercosul e a União Europeia, que deveria estar concluído até ao final do ano,
avança o ECO.

Tento Alberto Fernández, atual
presidente da Argentina, como Santiago Cafiero, ministro dos Negócios
Estrangeiros, que deixará o cargo a 10 de dezembro com a entrada em funções de
Javier Milei, asseguraram que a ainda não está prevista a assinatura do acordo,
na versão atual.

“[É necessário] estabelecer
certas condições que nos permitam apoiar e desenvolver as nossas indústrias”,
afirma Alberto Fernández, de acordo com a agência oficial Télam.

O Brasil, que atualmente assume a
presidência do Mercosul, e a União Europeia esperavam que a cimeira dos
presidentes do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), que irá
decorrer no Rio de Janeiro a 7 de dezembro, permitisse chegar a um acordo entre
as duas partes, após mais de 20 anos de negociações.

Santiago Cafiero indica em
entrevista ao diário argentino La Nacion, que “as condições não são propícias à
assinatura do acordo”, acrescentando que o texto atual “tem um impacto negativo
sobre a indústria do Mercosul, sem trazer qualquer benefício em troca para as
suas exportações agrícolas, que estão limitadas por quotas altamente
restritivas e sujeitas a regulamentações ambientais unilaterais que as expõem a
uma vulnerabilidade futura”.

 A presidente da Comissão
Europeia, Ursula von der Leyen, mostrou-se, em julho deste ano, “confiante” em
poder concluir estas discussões “nos próximos meses. Por sua vez, na passada
sexta-feira, Lula da Silva, presidente do Brasil, afirmou nas redes sociais, a
partir da COP28 no Dubai, que o Mercosul e a União Europeia estavam perto de
concluir” um acordo.

No entanto, no domingo, o
presidente brasileiro, admitiu que as negociações para um acordo comercial
entre o Mercosul e a União Europeia podem fracassar, e caso aconteça, não será
por falta de vontade dos países sul-americanos. “A única coisa que tem que
ficar clara é que eles devem parar de dizer que a culpa é do Brasil e da
América do Sul”.

Concluído em 2019 após 20 anos de
negociações, o acordo nunca foi ratificado, principalmente devido às
preocupações europeias com as políticas ambientais, particularmente no Brasil.

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