Lucros dos portos caem devido à greve dos estivadores em Lisboa

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Os sete maiores portos nacionais fecharam 2013 com um volume de negócios de cerca de 165 milhões de euros, menos 2,5%. Os lucros também caíram, para 23,2 milhões de euros.

O sector portuário é uma excepção no Sector Empresarial do Estado (SEE), apresentando há vários anos e de forma consecutiva resultados económico-financeiros positivos, sem sobrecarregar a carteira dos contribuintes, ao contrário da maioria das restantes empresas públicas dom sector dos transportes. No entanto, os números de 2013 foram afectados pelo impacto das sucessivas greves dos estivadores.

No ano passado, os indicadores económico-financeiros das sete administrações portuárias do Continente mantiveram-se positivos e equilibrados, apesar da contribuição negativa dada pelo porto de Lisboa. O volume de negócios dos portos de Lisboa, Leixões, Sines, Setúbal, Aveiro, Figueira da Foz e Viana do Castelo ascendeu, em 2013, a 164,8 milhões de euros, segundo os dados divulgados pelo relatório do GTIEVA – Grupo de Trabalho para as Infra-estruturas de Elevado Valor Acrescentado. Este valor representou uma queda de cerca de 2,5% face aos 169,1 milhões de euros de facturação agregada alcançada no ano anterior.

O principal contribuinte para esta quebra foi o porto de Lisboa, o único dos sete grandes a registar prejuízos em 2013, na casa de um milhão de euros (segundo o GTIEVA, não existem dados disponíveis sobre o porto de Viana do Castelo). Todos os outros, apresentaram resultados líquidos positivos (ver infografia).

Em 2012, o porto da capital tinha lucrado cerca de 3,5 milhões de euros. A inversão total da situação no porto de Lisboa é explicada como impacto negativo da prolongada greve de estivadores ao longo do ano passado, que afectou de forma quase exclusiva o porto da capital e afastou vários armadores mundiais e linhas de tráfego marítimo do estuário do Tejo. Uma situação que deverá ser ultrapassada no sentido positivo durante o ano em curso, em que não se têm registado tantos conflitos laborais.

Administrações portuárias “saudáveis”

A Administração do Porto de Lisboa (APL), liderada por Marina Ferreira, registou também quebras ao nível da facturação, de 50,4 milhões de euros para cerca de 47 milhões de euros. Isto quer dizer que dos cerca de quatro milhões de redução da facturação agregada dos portos nacionais no ano passado, cerca de três milhões tiveram origem no porto de Lisboa.

Mesmo com esta quebra, o porto de Lisboa foi o que teve o maior volume de facturação no ano passado, mas já seguido de muito perto pelo porto de Leixões, com um volume de negócios de 46,963 milhões de euros.

No ano passado, os portos de Leixões e de Sines mantiveram uma renhida disputa quanto a lucros. O porto nortenho registou 9,6 milhões de resultados líquidos, a pouca distância do porto alentejano, com 9,7 milhões de lucros. No capítulo do EBITDA, o grande vencedor foi o porto de Leixões, com um total superior a 32 milhões de euros.

Também o EBITDA do porto de Lisboa registou um decréscimo no ano passado, tendo caído de 26,4 para 21,5 milhões de euros. Neste indicador, o porto da capital foi acompanhado na descida em 2013 pelos portos de Leixões, Figueira da Foz e Setúbal.

De qualquer forma, as administrações portuárias demonstram uma saúde financeira quase única no SEE. O rácio médio de autonomia financeira foi de 74% em 2012, tendo baixado para 72,9% no ano passado. Em termos médios de solvabilidade, verificou-se que o rácio médio ascende a 4,3 x.

No que respeita ao desempenho económico e operacional, os indicadores são igualmente positivos. Em 2012, a margem média EBITDA dos sete maiores portos nacionais fixou-se em 51%, baixando para 49% no ano transacto (excluindo o porto de Viana do Castelo, de que não havia dados disponíveis relativamente a 2013, segundo o GTIEVA).

Fonte: Diário Económico.

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