O mistério do estranho som de um grasnar de pato que é emitido do fundo do oceano foi finalmente resolvido, segundo um artigo científico publicado esta segunda-feira.
O barulho – apelidado de «bio-pato» – surge sempre no Inverno e na Primavera no Oceano Antárctico. No entanto, a sua origem é um mistério para os investigadores desde a década de 1960.
Agora, gravadores acústicos revelaram que o som na verdade é uma espécie de «conversa» entre baleias-de-minke, um mamífero típico da região.
As descobertas foram publicadas na revista científica Biology Letters.
«Foi muito difícil encontrar a origem do sinal», disse Denise Risch, do instituto US National Oceanic Atmospheric Administration (NOAA), que liderou o estudo.
«Ao longo dos anos, houve várias hipóteses, mas ninguém conseguia mostrar realmente que espécie era essa que estava a produzir o som.»
O som estranho foi detectado pela primeira vez por submarinos há 50 anos. Na época, as pessoas que o ouviram ficaram surpresas ao descobrir que era muito parecido com o grasnar de patos. Desde então, essa frequência baixa foi gravada muitas vezes em águas da Antárctida e do oeste da Austrália.
Várias explicações surgiram para o fenómeno – como a de que seriam emitidos por peixes ou embarcações.
Os cientistas dizem agora possuir «sinais conclusivos» de que o som é produzido pela baleia-de-minke.
Em 2013, gravadores de som foram colocados em duas baleias da espécie.
«Descobrimos que o som era produzido pelo próprio animal que estava a carregar o gravador ou por outro animal da mesma espécie que estava ali perto.»
Os pesquisadores ainda não sabem exactamente como as baleias-de-minke emitem esse som. O que eles sabem é que os sons gravados foram produzidos quando os animais estavam próximos à superfície – antes de fazerem mergulhos profundos.
O objectivo dos pesquisadores agora é estudar mais esses animais, que são pouco conhecidos pela ciência, a partir dos sons captados.
Fonte: Diário Digital
